EVENTO TRARÁ SOLUÇÕES EM EFICIÊNCIA ENERGÉTICA

Palestrante do 10º Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável – Sustentar, Alexandre Heringer Lisboa, presidente da Efficientia, empresa pertencente ao Grupo Cemig, que atua, desde 2002, na implantação de projetos de eficiência energética, destaca a importância do evento e revela alguns pontos que serão abordados durante sua apresentação: com o avanço e o barateamento dos sistemas fotovoltaicos, das fontes eólicas, biomassa, os incentivos para geração distribuída e as novas tecnologias de armazenamento, sem contar os veículos elétricos e o aumento da digitalização, as concessionárias de energia enfrentam um processo de ruptura profundo. Aliado a isso tudo, ele explica que os processos de inteligência (smarts grids, cities) estão revolucionando o modo como as pessoas estão utilizando energia. “Sensores de inteligência nos postes de iluminação, troca de lâmpadas comuns por led, uso das internet das coisas são ameaças e oportunidades que a nova concessionária de energia terá que enfrentar”, afirma.

Na opinião do presidente da Efficientia, as empresas de energia elétrica terão que se adaptar à nova realidade, sob risco de perda de mercado. O argumento é que, se antes as concessionárias só pensavam em energia gerada por hidrelétricas e termelétricas convencionais, despachadas centralizadamente, hoje elas terão de pensar em transformar em outra forma para que a energia chegue às casas e com baixo custo. Para ele, os clientes se tornaram “prosumidores” (produtor e consumidor).

Lisboa esclarece que o consumidor hoje é o protagonista do mercado. Quer pagar cada vez menos, ter equipamentos mais eficientes e até gerar a própria energia, com geração distribuída. “Desde 2012 é possível isso. Minas Gerais tem hoje o maior número de unidades de geração distribuída do Brasil”, ressalta. Mas a solução esbarra em entraves, como a dificuldade imposta por algumas concessionárias que, se sentindo ameaçadas, buscam proteção regulatória influenciando na criação de leis. “A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no entanto, tem tido uma visão moderna, tomando medidas para proteger o consumidor e a geração distribuída”, pontua.

Desafios – Enquanto isso, ele diz, o Brasil segue fazendo feio, ao permitir desmatamentos recordes, mesmo sendo signatário do Acordo de Paris. “A Amazônia está sofrendo efeitos perversos com a omissão do governo na defesa dos seus biomas”, critica. Por outro lado, nos últimos 15 anos, ele acredita que o País tenha dado um “salto espetacular” no que diz respeito à utilização de energias renováveis (principalmente eólica e solar). Mas ainda tem muito para desenvolver. “Essas fontes, por serem intermitentes, ainda são um problema. Mas tecnologias avançam no sentido de criar sistemas de armazenamento; produz, quando se tem o recurso natural disponível e armazena, para quando esses recursos estiverem em falta – ou com tarifas mais caras”, observa.

O presidente do Instituto de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Sérgio Bessersman, também convidado do Sustentar 2017, enaltece a iniciativa do Instituto Sustentar, e adverte: “Estamos perdendo a guerra!”. Para ele, apesar dos avanços, o desafio não é mais descobrir caminhos tecnológicos, eles já existem, e sim contar com uma governança global capaz de dar conta das consequências das mudanças climáticas que colocam o planeta no “limite do perigo”.

“É indispensável que as emissões de gases de efeito estufa sejam globalmente precificadas. Só assim o mercado receberá o sinal correto que permitirá mitigar o problema”, avalia. Ele defende uma taxação global, um custo efetivo que deverá ser cobrado pelo não cumprimento das metas. “Já são 300 milhões de refugiados ambientais no planeta”, alerta.
O Brasil, na sua visão, tem pela frente a maior restauração florestal do planeta. E é preciso assegurar que essa restauração se dê de forma ecologicamente correta, preservando ao máximo a biodiversidade original. Isso significa trabalhar para a adaptação dos biomas aos impactos das mudanças climáticas.