VENTO E SOL COMO ALTERNATIVAS

Com uma das energias mais caras do mundo, investimentos em fontes renováveis são estratégicos para o país otimizar sua economia

O Brasil tem uma das energias mais caras do mundo: R$ 402,26 por megawatt (MW) / hora. O que significa um valor 46% superior à média praticada. Neste preço estão incluídos altos impostos e o custo elevado de operação das usinas hidrelétricas e termelétricas. Só para dar uma noção do quanto custa nossa energia, enquanto no Brasil a unidade do gás sai a 25 dólares, nos Estados Unidos a mesma unidade vale 2,8 dólares.

“Uma das maneiras do país baratear sua energia, ser energeticamente mais eficiente, otimizar a economia e tornar sua produção mais sustentável é o investimento em escala industrial nas fontes renováveis e limpas como o sol, a energia eólica e a biomassa”, avalia um dos participantes do 10º Sustentar – Fórum pelo Desenvolvimento Sustentável -que será realizado dia 29 de agosto, na sede da Fundação Dom Cabral (FDC), em Alphaville, Eduardo Nery. Ele é diretor da Energy Choice, empresa de consultoria na área de energia.
Segundo Nery, mesmo sendo o Brasil o país com uma das melhores insolações do mundo, ainda não temos incentivos do poder público para a instalação de fábricas de equipamentos de grande porte para usinas solares. Muito menos regulamentação para os fabricantes de kits portáteis que podem ser adquiridos em lojas especializadas para serem montadas nos telhados, a exemplo do que já acontece em países como a Alemanha. “O potencial brasileiro para a geração de energia por meio da radiação solar é de pelo menos 10 mil MW/ano. Mas estamos operando em apenas 1 mil MW/ano”, assinala o especialista.
O que é um desperdício. A Alemanha, que tem uma insolação uma vez e meia inferior à brasileira, já tem 70% de sua energia baseada na radiação solar. E por meio da geração distribuída, com pequenas usinas fotovoltaicas instaladas nos telhados das casas, os consumidores são também produtores de energia. “O que é uma forma de desonerar o estado”, assinala o consultor.
No Brasil, país do futuro sempre distante, é da iniciativa privada que vem, segundo Nery, o grande volume de inovações, soluções e investimentos que podem tornar o país mais eficiente energicamente, gerando um ciclo de sustentabilidade. “Já temos tecnologia suficiente para substituição de sistemas como o ar-condicionado e do transporte movido à combustíveis fósseis. O carro elétrico, que não libera gás carbônico e, consequentemente não polui nem contribui para o efeito estufa, já é uma realidade”, diz o consultor, referindo-se à lei aprovada no Reino Unido que proíbe a venda de carros movidos à gasolina a partir de 2040.

Na busca por soluções, tanto para ampliar a própria eficiência sem impactar na produção como para melhorar o bem-estar das pessoas, o setor produtivo investe na sustentabilidade. Já há sistemas de refrigeração por técnica de gotejamento para substituir o ar-condicionado, películas que filtram a radiação infravermelha e da mesma forma substituem tais aparelhos que liberam gás carbônico na atmosfera. Os telhados verdes, ocupados pela vegetação, também são opção sustentável para aliviar a sensação de calor. Sistemas de reutilização de água não são novidades também. O meio-ambiente agradece. Mas ainda sofre.
Mas, pelo menos os ventos, sopram a favor para nossa eficiência energética. Por já haver regulamentação para empresas estrangeiras instalarem-se aqui, as usinas produtoras de energia a partir do vento encontraram receptividade. E já são oito fabricantes de equipamentos de grande porte para usinas eólicas. “Em 2008 tínhamos uma capacidade instalada de 200 megawatts. Hoje, já atingimos 11 mil MW/ano. E a previsão é de atingirmos os 20 mil MW até 2020. É um salto fantástico”, pontua o participante do Sustentar 2017. Mas isto só foi possível, segundo ele, por conta da desoneração de tributos. “É preciso tratar a eficiência energética do ponto de vista econômico. E não como forma de exercício de poder daquele que detém um insumo essencial”, avalia Nery.
Serviço:
Sustentar 2017
O SUSTENTAR 2017 – 10.º Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável – é realizado pelo Instituto Sustentar de Responsabilidade Socioambiental. As inscrições gratuitas para o 5.º Ranking Sustentar de Inovação podem ser feitas em: https://goo.gl/forms/MSFTvRvB96gR6I7l1 ou pelo site: www.institutosustentar.net.
29/8. BELO HORIZONTE
Fundação Dom Cabral – FDC |Campus Aloysio Faria | Alphaville | Lagoa dos Ingleses | Nova Lima | M
12/9. SÃO PAULO
Fundação Dom Cabral – FDC | Vila Olímpica | São Paulo | SP